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Servo de Deus Padre Victor PDF Imprimir E-mail

Deus se revela de maneiras inesperadas e marca os escolhidos com o carisma da vocação. Ela surge entre o povo, em qualquer lugar.

Nascido em Campanha, filho de uma escrava, recebeu o nome de Francisco de Paula Victor. Há controvérsias quanto ao nome de sua mãe.Conforme Registro de Batismo do Sacerdote, ela se chamava Lourença Maria de Jesus. Todavia, segundo consta no livro do Processo de Ordenação, era Lourença Justiniana de Jesus.

Aquela criança negra e pobre teve o amparo e o carinho de sua madrinha de Batismo, D. Mariana Bárbara Ferreira, pessoa de grande importância na sua formação cristã.

Francisco era um menino exemplar: modesto, casto, disciplinado.

O desejo de ser padre aconteceu espontaneamente, quando exercia o ofício de alfaiate. Admitido no seminário - graças ao esforço do então Bispo de Mariana, D. Antônio Ferreira Viçoso - lutou contra o preconceito que cercava um estudante negro. Vencendo pela docilidade e submissão, conquistou o afeto dos outros seminaristas.

Seus colegas passaram a chamá-lo carinhosamente de Victor e a tê-lo como exemplo de humildade e bondade.

Com 24 anos ordenou-se padre, sendo sua primeira missa celebrada em Campanha. No Brasil, foi o primeiro homem negro a ser ordenado sacerdote pela Igreja Católica.

Em 1852, assumiu a Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda de Três Pontas, principal campo de seu operoso ministério.

E Deus abençoou o seu longo paroquiato, totalmente vivido em função da comunidade.

Fundou o Colégio Sagrada Família, do qual foi diretor e professor por mais de trinta anos, doando-se num ideal de vida.

A tradição conserva uma verdade que muito enaltece seu nome: sua bolsa jamais se fechou aos pobres, que constantemente o procuravam para minorar seus sofrimentos. Padre Victor vivia de esmola e dando esmola.

A modéstia no tratar as pessoas, a bondade do olhar, a humildade da palavra, toda a sua vida, enfim, tão simples e pura, bem parecia ter alguma coisa que não era da terra. Certamente, sua força interior vinha do contato íntimo com Deus pela oração.

Sua generosidade é comprovada em inúmeras situações, como no interessante episódio: depois de celebrar missa numa fazenda, recebe do fazendeiro um envelope com grande quantia. Seguindo viagem, encontra um casal pobre que lhe pede ajuda. Sem olhar o conteúdo, Padre Victor passa-lhe o envelope. Mais tarde, pensando ser um engano, o casal vem devolver-lhe o dinheiro. E o caridoso sacerdote, apesar de suas necessidades, fala: - “ Eu preciso, mas vocês precisam mais que eu.”

Muitos outros acontecimentos nos mostram que ele foi, na comunidade trespontana, um exemplo de fé, amor e serviço, num belo testemunho cristão.

Na idade de 78 anos, Padre Victor viu chegar a hora do encontro definitivo com Deus. Era o dia 23 de setembro de 1905.

Considerou-se sobrenatural o fato de se transcorrerem três dias e, sem qualquer processo de embalsamamento, o corpo não apresentar nenhum sinal de decomposição. Ao contrário, um doce perfume de rosas espalhava-se no ar.

Mais de três mil pessoas, entre lágrimas de saudade e homenagem de gratidão, levaram Padre Victor até a Igreja Matriz, onde foi sepultado.

Seu nome, estando no coração do povo, aparece na praça central da cidade de Três Pontas, numa grande escola, num bairro, em produtos e estabelecimentos comerciais, em diversos pontos turísticos e em muitas pessoas que confiam na sua proteção.

Chega setembro e começamos a vivenciar a expectativa da festa do “Servo de Deus Pe. Victor”. Para nós trespontanos, este é um tempo de graça e de piedosa devoção popular.

Como todas as celebrações são realizadas na Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, torna-se difícil a participação de pessoas que moram em bairros mais distantes. Então, aqui na nossa Paróquia as lideranças das Comunidades Sagrado Coração de Jesus e Santana reuniram- se, analisaram a situação e decidiram fazer a novena na própria comunidade. Suas Lideranças, coordenadores, agentes de pastorais e movimentos são os responsáveis pela organização e realização. Com alegria e disponibilidade estas pessoas, com seus dons e carismas, tornam-se instrumentos de Deus neste tempo forte de oração e evangelização: equipe de canto, de leitores, ministros da Palavra... Enfim, a colaboração é de todos e a cada ano vem aumentando o número de participantes.

No dia 23 de setembro saímos da Matriz Nossa Senhora Aparecida em direção a Capela Santa Cruz na faxina onde às 06 horas é celebrada a Santa Missa. É uma grande expressão de nossa fé e carinho para com o Servo de Deus Pe. Victor, nosso Anjo Tutelar.


 
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